Além da montagem de palcos e da contratação de bandas, a cidade de Paraipaba, no Ceará, incluía entre os preparativos para receber os turistas no Carnaval o sacrifício de cães que vagavam pelas ruas, mesmo que sadios.
"Era a Operação Carnaval", disse o coordenador da Vigilância Sanitária de Paraipaba (a 100km de Fortaleza), Rodolfo Paiva.
O Ministério Público estadual enviou recomendação a cidades do litoral cearense para que operações do tipo não ocorram neste ano.
Segundo a procuradora Sheila Pitombeira, o órgão está apurando se as cidades promovem uma "matança" às vésperas do feriado para que os foliões não se sintam incomodados. O principal atrativo dessas cidades no Carnaval são as praias e os shows de forró e axé.
A denúncia partiu da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais). A presidente da ONG, Geuza Leitão, diz que a "limpeza" das cidades litorâneas é uma prática antiga. Segundo ela, até os cães que têm dono, mas estão na rua, podem morrer.
A maior parte dos municípios ouvidos pela Folha confirmou que recolhe os cães no período pré-Carnaval, mas afirma que só os doentes são mortos. Segundo eles, o objetivo é evitar a transmissão de raiva e leishmaniose.
Em Paraipaba, porém, o coordenador da vigilância afirmou que animais saudáveis já foram sacrificados.
"O que você vai fazer com o cão? Ele pode pegar doença, pode derrubar uma moto. Você vem pular Carnaval e ele pode te morder", disse Paiva, que é veterinário.
Neste ano, segundo ele, a "Operação Carnaval" não vai acontecer porque a Promotoria determinou que os corpos dos cães mortos não fossem jogados no lixão, e não há incinerador no local.
A dona de casa Margarida da Silva, 64, conta que mantém seus três vira-latas presos para que não sejam pegos pela carrocinha. "Mas hoje tem muito pouco cachorro na rua. Eles mataram demais."
O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado, José Filho, afirmou que o caso de Paraipaba está sendo investigado. Segundo ele, não é permitido matar cachorros saudáveis para controle populacional.
OUTROS CASOS
Há denúncias sobre mortes de animais no interior também em outros períodos.
A advogada Raquel Magalhães, 32, disse que em 2009 a cadela de sua família fugiu, em Arneiroz (a 390 km de Fortaleza), e foi morta apesar de estar saudável. A prefeitura disse que, se o animal foi sacrificado, provavelmente estava doente.
Comentário:
Este tipo de pratica, de matar os cães doentes antes do carnaval, para evitar que transmitam doenças ou mordam as pessoas que estão aproveitando, não deveria acontecer. Animais que não estão doentes ou que possuem donos acabam sendo mortos por estarem na rua, e mesmo assim, matar animais para que possamos aproveitar melhor o carnaval, não é certo. Isso deveria ser proibido pelo Ministério Público para que mais cães não sejam mortos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário