terça-feira, 29 de março de 2011

Nasa dimensiona danos da seca na Amazônia em 2,4 mi de km2

Os satélites da Nasa (agência espacial americana) forneceram material para uma análise dos estragos provocados pela pior seca a atingir a Amazônia em 2010.
Pela tomada área, estima-se que foram 2,5 milhões de quilômetros quadrados afetados --pouco menos da metade do ecossistema amazônico.
A segunda notícia negativa é que não houve uma recuperação total para os níveis normais, depois do fim do período da seca em outubro de 2010.
Os cientistas se preocupam com a previsão feita por computadores, que apontam que a floresta pode ser ocupada por campos de savanas e pradarias em caso de uma mudança climática com temperaturas mais quentes e alteração no padrão do volume de chuvas.
A ação da seca de 2010 pode ser vista pelo recorde nos baixos níveis dos rios da região, que compreendeu o período de agosto a outubro desse ano e afetou drasticamente
a atividade pesqueira, o abastecimento de água na zona rural e a saúde da população.

O estudo será publicado no "Geophysical Research Letters", jornal da União de Geofísicos Americanos.



Comentário:
A seca na Amazônia é algo muito preocupante, já que ela uma das maiores fontes de água potável do planeta. Dependendo das mudanças climáticas e do padrão do volume de chuvas, ela poderá ser ocupada por campos de savanas e pradarias. O que afetara drasticamente os ecossistemas e a vida das populações que lá habitam. Não deveríamos então valorizar, respeitar e cuidar mais de um tesouro que é nosso?

Captura de peixe antes da reprodução ameaça Abrolhos

Em Abrolhos, um dos maiores santuários marinhos da América do Sul, peixes de alto valor comercial e importantes para a regulação do ecossistema são capturados abaixo do peso e do tamanho mínimos para reprodução, ameaçando o equilíbrio de toda a região.
"Esses peixes saem do ambiente antes de estar maduros, sem deixar descendentes que garantam os ciclos de reprodução", diz Matheus Oliveira de Freitas, pesquisador do Museu de História Natural Capão da Imbuia (PR).
Ele coordenou um estudo inédito sobre o ciclo reprodutivo de algumas das espécies mais pescadas em Abrolhos, no sul da Bahia e norte do Espírito Santo, incluindo as famílias dos badejos, garoupas e vermelhos.
Os cientistas esperam que o trabalho ajude na regulamentação da pesca dessas espécies que, por enquanto, podem ser capturadas livremente, sem restrição alguma de época e tamanho.
No Brasil, ao contrário de boa parte da América do Norte e do Caribe, há grande deficiência de informações sobre a dinâmica reprodutiva de peixes ameaçados e com grande valor comercial.
Sem esses dados não é possível gerir a pesca de forma sustentável, minimizando os danos ao ambiente.
No caso de Abrolhos, os peixes mais valorizados são também grandes predadores que ajudam no controle de outras espécies menores. Algo essencial para a manutenção do delicado equilíbrio nos recifes de corais.


REPRODUÇÃO
Após dois anos e meio de trabalho analisando os exemplares capturados por pescadores da região, os cientistas conseguiram identificar o período de reprodução dos peixes, bem como características de tamanho e dinâmica de movimentação.
Ainda falta, porém, descobrir os locais exatos de desova. Com isso será possível criar pontos de bloqueio à pesca no período de reprodução, entre outras medidas.
"Na desova, esses peixes se concentram em grandes cardumes, às vezes com milhares de indivíduos. Isso os torna mais vulneráveis aos pescadores", diz Freitas.
Para chegar até esses locais, o grupo espera ter a ajuda dos próprios pescadores. Cerca de 70% da pesca no arquipélago é artesanal.
"Os pescadores sabem onde estão muitos pontos de desova. Queremos mapeá-los juntos" conta o coordenador do trabalho, publicado na revista "Scientia Marina" e financiado pela ONG Conservação Internacional.
Segundo ele, todas as descobertas foram repassadas aos pescadores em palestras, para conscientizá-los da importância de respeitar o desenvolvimento dos peixes.


Comentário:
Conscientizar os pescadores da importância de que os peixes sendo retirados antes de estarem maduros, sem deixarem descendentes que garantam os ciclos de reprodução e não ter as informações sobre a dinâmica reprodutiva dos peixes ameaçados, não faz com que a pesca seja de forma sustentável. Porque assim não ocorreria um equilíbrio nos recifes de corais, por isso os pescadores deveriam ser alertados e deveriam respeitar o desenvolvimento dos peixes.


UE aconselha maior controle de radioatividade nos alimentos do Japão

A União Europeia (UE) recomendou aos países do bloco que façam um maior controle de radioatividade nos alimentos importados do Japão, em seguida à catástrofe nuclear no arquipélago, segundo um porta-voz da Comissão Europeia.
Os controles são voluntários, mas, no caso haja constatação de níveis de contaminação radioativa acima do teto autorizado, os países do bloco estão obrigados a informar a Bruxelas.
A UE importou 9.000 toneladas de frutas e verduras em 2010, além de alguns tipos de pescado.


Apesar do Japão não ter feito nenhuma declaração sobre possível contaminação do solo e águas, o material radioativo lançado ao ar pela usina nuclear Fukushima Daiichi, afetada por um terremoto na sexta-feira (11), pode efetivamente contaminar os alimentos e causar um risco ao longo de semanas e mesmo meses aos japoneses.
Os japoneses observam de perto a previsão dos ventos e chuvas no país, já que o material pode ser levado ao mar e ao solo, e eventualmente contaminar plantações, a vida marítima e a água consumida pela população.
O leite de vaca também é especialmente vulnerável, segundo especialistas, caso os animais entrem em contato com o pasto contaminado.
Segundo Lee Tin-lap, toxicologista e professor associado da Escola de Ciências Médicas da Universidade de Hong Kong, as águas que banham o Japão precisam ser testadas para saber seu nível de radiação.
"Ninguém está medindo os níveis de radiação no mar", disse Lee à Reuters. "A névoa que está sendo lançada ao ar eventualmente voltará para a água, e para a vida marítima será afetada [...] quando houver uma chuva, a água usada no consumo também será contaminada."
CÂNCER
Especialistas afirmam que qualquer exposição a material radioativo tem o potencial de causar vários tipos de câncer, e o risco aumenta quanto mais elevado for o nível de radiação.
Mas eles afirmam ser necessário medições mais precisas para o nível de radioatividade no Japão e na região para que se possa ter uma ideia mais clara dos riscos, já que os efeitos ao corpo humano dependem de vários fatores --como biotipo da pessoa e o tempo de exposição.
"As explosões podem expor a população à radiação por um longo período, o que pode elevar o risco de câncer. Os tipos são câncer da tiroide, câncer ósseo e leucemia. As crianças e os fetos são especialmente vulneráveis", disse Lam Ching-wan, químico patologista da Universidade de Hong Kong.
"Para alguns indivíduos, mesmo uma quantidade pequena de radiação pode elevar o risco de câncer. Quanto maior a radiação, maior o risco de câncer", disse Lam, que também é membro do Conselho Americano de Toxicologistas.



Comentário:
Com certeza a radiação lançada no ar deveria receber um maior controle. Além de poder se infiltrar no solo (durante a chuva), pode ser levada ao mar, expondo a vida marítima, a água e os alimentos consumidos pela população. Podendo causar câncer e levar a morte, essa exposição a radiação, ela devia ser muito bem controlada pelas autoridades. 

Projeto ambiental coloca turistas para viverem como macacos

Voar pela selva em uma tirolesa e dormir nas árvores como os macacos é a experiência de um ambicioso projeto de conservação no norte de Laos, que incentiva a adesão de ex-caçadores a um ecoturismo atípico.
As cabanas ficam a cerca de 40 metros de altura, com cabos que medem até 700 metros de comprimento. Por eles, viaja-se a uma velocidade média de 80 km/h.
Como se isso não bastasse, o cinto de retenção é apenas uma polia de aço simples com um pedaço de pneu de bicicleta para usar como freio.
"É simplesmente alucinante, como voar", assegura Nathan, um mochileiro americano que apoia suas pernas em um tronco para se impulsionar e ir mais rápido ainda na tirolesa.
Após uma breve conversa sobre as normas básicas de segurança, os hóspedes têm total liberdade para deslizarem várias vezes pelos cabos até que escureça, pois só é proibido praticar a atividade à noite.
A aventura é parte da Gibbon Experience, chamada dessa maneira por que está inspirada no gibão (Hylobates pileatus).
Tal primata pequeno e escorregadio também se encontra no Vietnã e no sul da China, e se achava já extinto na região no início da década passada, precisamente quando o cientista francês Jeff Reumaux chegou à província de Bokeo.
Reumaux demorou cinco anos para obter dinheiro suficiente para construir as casas nas árvores com banheiros e água corrente, além da rede de tirolesa que as une.
Também não foi fácil convencer as autoridades locais para que declarassem como reserva natural mais de 123 mil hectares de floresta onde, na época, a tribo hmong capturava elefantes, macacos, ursos e tigres.
Esses mesmos caçadores se tornaram guardas florestais e guias que mantêm suas famílias sem prejudicar o ecossistema.
EX-CAÇADORES
"Há alguns anos, mal podia alimentar minha mulher e meus filhos com o que ganhava com a caça, mas hoje vivemos muito melhor sem precisar matar nenhum animal", assinala em um precário inglês Vong, que só precisa de um par de chinelos para se movimentar pela selva, que conhece como a palma de sua mão.
Na reserva vivem atualmente 400 gibões, a grande exigência do projeto e cujos cantos se podem escutar ao amanhecer, embora é preciso ter muita sorte para encontrá-los a distância.
"Não vi nenhum, mas não tem problema. Para mim, a experiência não é contemplá-los e sim viver como eles", comenta Lotte, outra turista que não se importou em caminhar durante mais de quatro horas e sofrer picadas de insetos e sanguessugas para chegar às casas nas árvores.
A dificuldade do trajeto afasta o turismo das massas, que prefere ver os gibões de maneira mais cômoda em zoológicos e em espaços mais acessível na vizinha Tailândia.
O francês explica à agência de notícias Efe que seu objetivo não é transformar a selva em uma mera atração turística, mas apresentar aos habitantes um modo alternativo de seguir explorando a natureza sem cortar árvores ou matar animais.
"Queremos mostrar que conservar a selva é melhor que destruí-la. Isso talvez seja óbvio para nós, mas para poder persuadi-los temos que provar que é possível viver assim", indica o francês.
Para cumprir essa meta, uma parte do dinheiro arrecadado pelo ecoturismo é investida em modernos sistemas de irrigação para arrozais e outros cultivos, consumidos pelas famílias que já não precisam queimar parte da floresta, como outros camponeses da região.
"É caro, mas simples e eficaz, e prova que preservar as florestas não precisa ser um assunto político", conclui Reumaux.



Comentário:
Realmente gostei desse projeto, que faz com que ex-caçadores passem a respeitar a floresta e sua fauna, assim conservando a selva sem prejudicar os ex-caçadores. Além de apresentar aos turistas um contato mais profundo com a natureza.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Cidade do Ceará suspende matança de cães antes do Carnaval


Além da montagem de palcos e da contratação de bandas, a cidade de Paraipaba, no Ceará, incluía entre os preparativos para receber os turistas no Carnaval o sacrifício de cães que vagavam pelas ruas, mesmo que sadios.
"Era a Operação Carnaval", disse o coordenador da Vigilância Sanitária de Paraipaba (a 100km de Fortaleza), Rodolfo Paiva.
O Ministério Público estadual enviou recomendação a cidades do litoral cearense para que operações do tipo não ocorram neste ano.
Segundo a procuradora Sheila Pitombeira, o órgão está apurando se as cidades promovem uma "matança" às vésperas do feriado para que os foliões não se sintam incomodados. O principal atrativo dessas cidades no Carnaval são as praias e os shows de forró e axé.
A denúncia partiu da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais). A presidente da ONG, Geuza Leitão, diz que a "limpeza" das cidades litorâneas é uma prática antiga. Segundo ela, até os cães que têm dono, mas estão na rua, podem morrer.
A maior parte dos municípios ouvidos pela Folha confirmou que recolhe os cães no período pré-Carnaval, mas afirma que só os doentes são mortos. Segundo eles, o objetivo é evitar a transmissão de raiva e leishmaniose.
Em Paraipaba, porém, o coordenador da vigilância afirmou que animais saudáveis já foram sacrificados.
"O que você vai fazer com o cão? Ele pode pegar doença, pode derrubar uma moto. Você vem pular Carnaval e ele pode te morder", disse Paiva, que é veterinário.
Neste ano, segundo ele, a "Operação Carnaval" não vai acontecer porque a Promotoria determinou que os corpos dos cães mortos não fossem jogados no lixão, e não há incinerador no local.
A dona de casa Margarida da Silva, 64, conta que mantém seus três vira-latas presos para que não sejam pegos pela carrocinha. "Mas hoje tem muito pouco cachorro na rua. Eles mataram demais."
O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado, José Filho, afirmou que o caso de Paraipaba está sendo investigado. Segundo ele, não é permitido matar cachorros saudáveis para controle populacional.
OUTROS CASOS
Há denúncias sobre mortes de animais no interior também em outros períodos.
A advogada Raquel Magalhães, 32, disse que em 2009 a cadela de sua família fugiu, em Arneiroz (a 390 km de Fortaleza), e foi morta apesar de estar saudável. A prefeitura disse que, se o animal foi sacrificado, provavelmente estava doente.



Comentário:
Este tipo de pratica, de matar os cães doentes antes do carnaval, para evitar que transmitam doenças ou mordam as pessoas que estão aproveitando, não deveria acontecer. Animais que não estão doentes ou que possuem donos acabam sendo mortos por estarem na rua, e mesmo assim, matar animais para que possamos aproveitar melhor o carnaval, não é certo. Isso deveria ser proibido pelo Ministério Público para que mais cães não sejam mortos.